Mês: agosto 2017

Transverberação de Santa Teresa de Jesus

 

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O Êxtase de Santa Teresa ou a Transverberação de Santa Teresa (1647–1652) é uma escultura de Gian Lorenzo Bernini um dos maiores escultores do século XVII, representando a experiência mística de Santa Teresa de Ávila trespassada por uma seta de amor divino por um anjo, realizada para a capela do cardeal Federico Cornaro.

 

Hoje, 26 de agosto, lembramos a Transverberação de Santa Teresa de Jesus.

A transverberação é a manifestação da força do amor de Deus aceito, desejado e vivido pela Santa no seu matrimônio espiritual.

“Entre as virtudes de Teresa, ocupa lugar eminente o amor de Deus que, o próprio Jesus Cristo nela infundiu, através de muitas visões e revelações. Duma feita, fê-la sua esposa; em outra ocasião, Teresa viu um Anjo que lhe transverberava o coração com um dardo de fogo. Por estes dons celestes, a chama do divino amor ateou-se tão ardentemente nela, que emitiu voto de fazer sempre o que acreditasse ser mais perfeito, o que desse maior glória a Deus.”
Gregório XV, Bula de Canonização de Santa Teresa de Jesus.

Partilhamos o testemunho de Santa Teresa de Jesus sobre o recebimento desta Graça:

“Quis o Senhor que eu tivesse algumas vezes esta visão: eu via um anjo perto de mim, do lado esquerdo, em forma corporal, o que só acontece raramente. Muitas vezes me aparecem anjos, mas só os vejo na visão passada de que falei. O Senhor quis que eu o visse assim: não era grande, mas pequeno, e muito formoso, com um rosto tão resplandecente que parecia um dos anjos muito elevados que se abrasam. Deve ser dos que chamam querubins, já que não me dizem os nomes, mas bem vejo que no céu há tanta diferença entre os anjos que eu não os saberia distinguir.

Vi que trazia nas mãos um comprido dardo de ouro, em cuja ponta de ferro julguei que havia um pouco de fogo. Eu tinha a impressão de que ele me perfurava o coração com o dardo algumas vezes, atingindo-me as entranhas. Quando o tirava, parecia-me que as entranhas eram retiradas, e eu ficava toda abrasada num imenso amor de Deus. A dor era tão grande que eu soltava gemidos, e era tão excessiva a suavidade produzida por essa dor imensa que a alma não desejava que tivesse fim nem se contentava senão com a presença de Deus. Não se trata de dor corporal; é espiritual, se bem que o corpo também participe, às vezes muito. É um contato tão suave entre a alma e Deus que suplico à Sua bondade que dê essa experiência a quem pensar que minto.” (Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida, cap. 29, 13)

 

 

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Nesta foto o Coração Transverberado de Santa Teresa de Jesus – Foto tirada na Igreja Da Anunciação em Alba de Tormes, onde se encontra esta Relíquia.

 

Entreguei-me toda e, assim,
os corações se hão trocado:
Meu Amado é para mim,
e eu sou para meu Amado.

Quando o doce Caçador
me atingiu com sua seta
nos meigos braços do Amor,
minh’alma aninhou-se, quieta.
E a vida em outra, seleta,
totalmente se há trocado:
meu Amado é para mim,
e eu sou para meu Amado.

Era aquela seta eleita
ervada em sucos de amor,
e minha alma ficou feita
uma, com o seu Criador.
Já não quero eu outro amor
que a Deus me tenho entregado:
meu Amado é para mim,
e eu sou para o meu Amado.

 

Desejais que vosso amor, como fogo ardente, abrase todos nós; tornai-nos, com Santa Teresa, testemunhas e artífices de vossa caridade na terra.

 

( Cristina Stein Hoff da Comunidade OCDS  Santa Teresa Benedita da Cruz, de São Leopoldo, RS, com a colaboração de Marta Regina Lopes dos Santos, Comunidade Santa Teresa de Porto Alegre, RS)

 

Santa Miriam de Jesus Crucificado

25 de Agosto – Santa Miriam de Jesus Crucificado

                                                          Memória na O.C.D

Santa Miriam de Jesus Crucificado

 

Miriam Baouardy, descendente de uma família greco-melquita católica, nasceu em Abellin, localidade da Galiléia, em 5 de janeiro de 1846. Ingressou no convento das Carmelitas Descalças de Pau, França, em 1867. Consagrou-se a Deus pelos votos religiosos em Mangalore, cidade da Índia, aonde tinha ido como co-fundadora em 1870. Faz sua profissão monástica em 21 de novembro de 1871. Voltando a França em 1872, transladou-se, três anos mais tarde para a Terra Santa. Construiu em Belém um mosteiro da Ordem e providenciou a ereção de outro em Nazaré. Foi dotada de extraordinárias graças sobrenaturais e, principalmente, de uma rara humildade. Entregou sua alma a Deus aos 32 anos, em Belém, ao amanhecer do dia 26 de agosto de 1878.

 

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São João Paulo II a fez sair da sombra

Miriam de Belém, conhecida como a “Pequena Árabe”, recebeu, como religiosa, o nome de Irmã Maria de Jesus Crucificado; foi beatificada pelo Papa João Paulo II, a 13 de novembro de 1983 e sua canonização no dia 17 de maio de 2015, na qual a homilia do Papa Francisco resumiu muito bem a mensagem de Miriam:

“Deste amor eterno entre o Pai e o Filho, que se infunde em nós por intermédio do Espírito Santo (cf. Rm 5, 5), adquirem vigor a nossa missão e a nossa comunhão fraternal; é dele que brota sempre de novo a alegria de seguir o Senhor pelo caminho da sua pobreza, da sua castidade e da sua obediência; é aquele mesmo amor que nos chama a cultivar a oração contemplativa. Foi quanto experimentou de maneira eminente a irmã Maria Baouardy que, humilde e iletrada, soube dar conselhos e explicações teológicas com extrema clarividência, fruto do diálogo incessante que mantinha com o Espírito Santo”.

 

Um pouco mais de sua história…

Os pais de nossa carmelita eram católicos praticantes e muito fevorosos. Família pobre, vivia do trabalho do pai (Giriés Georges Baouardy) que fabricava pólvora para fogos de artifício. Georges e sua esposa Mariam tinham o propósito de terem muitos filhos, entretanto os desígnios de Deus foram outros: os doze primeiros filhos foram para o Céu ainda pequeninos. Mas o casal não desanima e vão para Belém pedir uma menina para Nossa Senhora com a promessa de chamá-la de Miriam (Maria). E Nossa Senhora atendeu… Que alegria quando nasceu a menina! E para aumentar a felicidade do casal, Nossa Senhora mandou-lhes mais um filho após um ano: Paulinho (Boulos em árabe). Mas, Miriam não tinha ainda 3 anos quando o seu pai morre confiando-a à fiel custódia de São José. Alguns dias mais tarde morre também a sua mãe. É assim que Boulos é adotado por uma tia e Miriam por um tio de boa condição social. Aos 8 anos faz sua primeira comunhão. Miriam tem 12 anos quando sabe que o seu tio a quer casar. Decidida a dar-se totalmente a Deus, recusa a proposta. Tratam de persuadi-la e ameaçam-na. Nem as humilhações, nem os maus tratos puderam fazer mudar a sua decisão. Após três meses, ela visita um velho criado da casa do seu tio, para enviar uma carta a seu irmão que vive na Galileia para que a venha ajudar. Ouvindo a narração dos seus sofrimentos, o criado que era muçulmano, exorta-a a converter-se ao Islamismo. Miriam recusa. Encolerizado, o homem pega numa espada e corta-lhe a garganta, abandonando-a logo de seguida numa rua escura. Era dia 8 de Setembro. Mas a sua hora não havia chegado, e ela acorda numa gruta, ao lado de uma jovem que parecia ser uma religiosa. Durante quatro semanas, ela cuida, alimenta e instrui Miriam. Depois de estar curada, aquela que mais tarde ela revelará ser a Virgem Maria, leva-a a uma igreja. Desde esse dia, Miriam irá de cidade em cidade (Alexandria, Jerusalém, Beirute, Marselha…), como doméstica, elegendo preferencialmente as famílias pobres, ajudando-as, mas deixando-as quando elas a honram demasiado.

Em 1865 Miriam encontra-se em Marselha. Entra em contacto com as Irmãs de São José da Aparição. Tem 19 anos, é admitida ao noviciado. Sempre disposta aos trabalhos mais pesados, passa a maior parte do seu tempo lavando ou cozinhando. Mas, dois dias por semana revive a Paixão de Jesus, recebe os estigmas (que na sua simplicidade pensa ser uma doença) e começam a manifestar-se todo o tipo de graças extraordinárias. Algumas irmãs ficam desconcertadas com o que se passa com ela, e ao fim de 2 anos de noviciado, não é admitida na Congregação. Um conjunto de circunstâncias vão conduzi-la até ao Carmelo de Pau.

É recebida em Junho de 1867 no Carmelo de Pau. Mal chega ao Carmelo e sente no seu íntimo de quanto a vocação lhe assenta bem. A sua simplicidade e generosidade conquistam o coração de todos. “Onde está a caridade ali está Deus. Se pensais em fazer o bem ao vosso irmão, Deus pensará em vós. Se cavais um poço para vosso irmão, caíreis nele; o poço será para vós. Mas, se fazeis um céu para o vosso irmão, esse céu será para vós…”. Dom da profecia, ataques do demônio ou êxtases… entre todas as graças divinas das quais está repleta, ela sabe, de maneira muito profunda, ser ‘nada’ diante de Deus, e quando fala dela mesma intitula-se “o pequeno nada“, é realmente a expressão profunda de seu ser. É o que a faz penetrar na insondável profundidade da misericórdia divina onde ela encontra a sua alegria, as suas delicias e a sua vida… “A humildade é ser por não ser nada, ela não se apega a nada, ela não se cansa nunca de nada. Está contente, é feliz, onde quer que esteja é feliz, está satisfeita com tudo… Felizes os pequenos!”.

Após 3 anos, em 1870, parte com um pequeno grupo de Irmãs para fundar o primeiro convento de Carmelitas Descalças na Índia, em Mangalore. Sofreu muitos combates espirituais e a comunidade não a compreendia provocando seu regresso ao Carmelo de Pau em 1872. Pouco depois de seu regresso de Mangalore, ela começa a falar da fundação de um Carmelo em Belém. Os obstáculos são numerosos, mas a autorização é dada por Roma e a 20 de Agosto de 1875 um pequeno grupo de carmelitas embarca para essa aventura. Prepara também a fundação de um Carmelo em Nazaré. De volta a Belém, retoma a vigilância dos trabalhos debaixo de um calor sufocante. Quando leva algo para beber aos trabalhadores, Miriam cai de uma escada e quebra um braço. A gangrena vai avançar muito rapidamente e morre poucos dias depois, a 26 de agosto de 1878.

Ela teve tanto amor a Jesus que recebeu o coração transpassado por um Serafim assim como nossa Santa Madre Teresa de Jesus. Rodeada pela comunidade e deitada na cama do seu calvário ela diz: “Se querem encontrar-me depois da morte… Comunguem!”

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Espírito Santo, inspirai-me.

Amor de Deus, consumi-me.

Ao verdadeiro caminho, conduzi-me.

Maria, Minha Mãe, olhai por mim,

Com Jesus, bendizei-me;

De todo mal, de toda a ilusão,

De todo o perigo, protegei-me.

Santa Miriam de Jesus Crucificado

    Fonte bibliográfica: Uma Carmelita Analfabeta; Frei Raul de Lima Sertã
                                                              www.carmelitas.pt

(Material fornecido para este blog por Cristina Stein Hoff da Comunidade OCDS  Santa Teresa Benedita da Cruz, de São Leopoldo, RS)

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A primeira Fundação!

 

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24 de agosto de 1562, o dia que nascemos!

Santa Teresa de Jesus, a Fundadora! Assim ela narra  a missão a qual estava determinada a cumprir:

“Certo dia depois da Comunhão, Sua Majestade me ordenou expressamente que me dedicasse a esse empreendimento com todas as minhas forças, prometendo-me que o Mosteiro não deixaria de ser feito e dizendo que ali seria muito bem servido.
Disse-me que deveria ser dedicado a São José; esse santo glorioso nos guardaria uma porta, e Nossa Senhora, a outra; Cristo andaria ao nosso lado, e a casa seria UMA ESTRELA DA QUAL SAIRIA UM GRANDE RESPLENDOR…” (Cf. Vida, 32,11).

A 24 de agosto de 1562, o repique de uma campainha anuncia a fundação do Mosteiro São José, em Ávila e a tomada de hábito das 4 primeiras Carmelitas Descalças”.

Santa Teresa ainda proclama:

” Aqui, todas devem ser amigas, todas hão de se amar, todas hão de se querer, todas hão de se ajudar.” S. Teresa de Jesus

A vida fraterna em comum é um dos pontos centrais no carisma carmelitano. Santa Teresa queria que suas monjas experimentassem que a convivência fraterna também é oração, lugar onde nosso amor a Deus se torna manifesto.
Isto a motivou a formar comunidades pequenas no número de seus componentes, para favorecer o mútuo conhecimento, o encontro cordial, amigável e afável entre todas.

O Mosteiro de São José de Ávila surgiu da necessidade de Santa Teresa de colocar em prática este modelo de vida fraterna. Também serviu de modelo para a fundação das demais comunidades, chegando até os dias atuais, para nossas comunidades de Monjas, Frades e Leigos, sob a proteção de Nossa Senhora e de São José.

O Carmelo proclama silenciosamente a necessidade da oração – relacionamento com Deus – que deve dar forma e orientação a todas as nossas ações. Afirma que temos necessidade de Deus, de alimentar-nos Dele na Eucaristia, de assumirmos na fé o seu projeto de vida e vida em plenitude para todos e cada um. Sustenta que é no amor aos irmãos que provamos nosso amor a Deus, que necessitamos uns dos outros e juntos caminhamos para a Fonte, o encontro definitivo com Ele, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação.

24 de agosto de 1562, dia que nasceu o Carmelo Descalço!

São José de Ávila a fundação que nos inspira e nos convida anos “descalçarmos” e praticarmos a vida comunitária e partilhar nossa vida de oração.

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Dia dos Pais

Ser pai a semelhança de São José

A figura paterna que se constrói em cada um de nós é muito importante na nossa relação com Deus. Falar sobre ser “pai” é muito mais profundo do que apenas ser genitor de uma nova vida ou de várias. Ser pai para os homens é uma responsabilidade tão grande que me atrevo a dizer ser mais desafiadora do que para as mulheres serem mãe. Desafiadora, pois dependendo da relação que cada filho tem com seu pai vai influenciar positiva ou negativamente na relação com Deus. Um exemplo de pai justo, virtuoso e, principalmente, humilde é São José.  São José recebeu a graça especial de ser o pai de Jesus. Missão esta, que assumiu sendo a sua identidade e executou humildemente amando com grande fervor Jesus e Maria. A exemplo de São José, pode-se dizer que quanto maior a humildade, maior a caridade. E esta é a graça que um pai deve pedir a Deus, a fim de exercer a autoridade sobre sua família com amor, mansidão e respeito. Paternidade também significa proteção, assim como São José foi designado por Deus a proteger a Sagrada Família, um verdadeiro pai deve estar disposto a derramar seu sangue para proteger sua esposa e seus filhos de todo mal. Pai, faça-se amar e será obedecido pelos filhos! Obediência esta que tem sido difícil nos dias atuais. E sem obediência como faremos a vontade de Deus? Por isso a missão de um pai é tão importante.

Que Deus derrame a graça a todos os pais para que tenham um “coração de pai” a semelhança do nosso glorioso São José!

FELIZ DIA DOS PAIS!

Cristina Stein Hoff – OCDS

Comunidade Santa Teresa Benedita da Cruz – São Leopoldo/RS

 

Nossos pais nos educaram, nos formaram como pessoas. São nossos exemplos de amor, de fé e de vida.

Infelizmente conseguimos poucas fotos dos pais de nossas comunidades OCDS, mas estas são  fotos  de membros de algumas comunidades com seus pais ou com seus filhos.

Feliz Dia dos Pais a todos! Que Deus os abençoe!

Santa Teresa Benedita da Cruz

 

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“Vamos, pelo nosso povo”!

Esta é a última frase que as irmãs do Carmelo de Ecth, na Holanda, ouvem da irmã Teresa Benedita da Cruz que, dirigindo=se a sua irmã Rosa, anima-a para seguir os dois soldados da GESTAPO que as levam prisioneiras.

Diante da porta, vizinhos assistem consternados à saida das duas irmãs, que são conduzidas a um carro da polícia, onde já se encontram outros condenados.

Dez minutos antes, as irmãs estavam reunidas na capela, como todos os dias às cinco horas da tarde, e irmã Teresa Benedita lia para todas o texto de meditação em comum. Toca a campainha e a madre priora, chamada pela porteira, vê dois policiais que procuram irmã Stein. Pensando que se tratasse da licença para emigrar para a Suiça, tão esperada pela irmã, a madre a chama.

Do diálogo que se segue e da voz forte e zangada de um dos soldados, a superiora percebe que algo mais grave acontece:

– Deixe esta casa em cinco minutos

-Não posso, sou religiosa de clausura

-Arranque isto (referia-se às grades) e venha para fora! Chame a  superiora!

Apesar de todos os protestos, súplicas e explicações, os soldados continuam firmes na execução das ordens recebidas e levam não só irmã Teresa Benedita, mas também sua irmã Rosa, da Ordem Terceira do Carmelo, que, acolhida pela comunidade, trabalhava na portaria.

O Carmelo de Colônia, na Alemanha, quase quatro anos antes, havia pedido às coirmãs de Echt abrigo e proteção para irmã Teresa Benedita, perseguida em sua pátria.

Enquanto o carro de polícia se afasta, entre lágrimas e preces, as carmelitas daquela comunidade vão recordando os momentos felizes de convivência com a irmã tão bondosa, serena, humilde e sábia que lá chegara no dia 31 de dezembro de 1938

Quem é irmã Teresa Benedita da Cruz? Porque a perseguem? Que mistério se esconde atrás do humilde hábito desta carmelita? Que perigo representa ela para um regime de terror que da Alemanha se espalha agora por outros países da Europa?

Assim começa o livro: Edith Stein Holocausto Para Seu Povo, escrito por Jacinta Turolo Garcia,A.S.C.J. e Patricio Sciadini, O.C.D.

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Santa Teresa Benedita da Cruz

Celebramos hoje no Carmelo e na Igreja, a memória de Santa Teresa Benedita da Cruz, popularmente conhecida como Santa Edith Stein.  Filósofa alemã de origem judaica, nasceu em Breslau, Alemanha, em 12 de Outubro de 1891 e faleceu no campo de concentração de Auschwitz, no dia 9 de Agosto de 1942. Edith Stein é reconhecida mundialmente como uma importante filósofa e teóloga cristã católica alemã. Ela foi também a primeira mulher que ousou defender uma tese de Filosofia na Alemanha. Foi discípula de  Edmund Husserl, o fundador de uma importante corrente da filosofia chamada fenomenologia. Depois, ela se tornou assistente de seu mestre.

Seus pais, Siegfried e Augusta Courant Stein, eram judeus. Estes insistiam com Edith para que ela assumisse a fé hebraica. Edith, porém, dizia-se ateia até a adolescência. Ainda assim, ela acompanhava sua mãe nas celebrações da sinagoga. Mas fazia isso mais por não querer desagradar sua mãe do que por convicção própria. Por volta de seus 30 anos, Edith Stein foi passar férias na casa de uns amigos na região da Baviera. Era o outono do ano 1921. Nessa ocasião, um livro caiu em suas mãos: a autobiografia de Santa Teresa de Ávila, cujo título era “Livro da Vida”. Edith começou a ler por curiosidade, gostando da redação de Santa Teresa. Ficou tão fascinada pelo conteúdo que passou toda a noite lendo até terminá-lo ao amanhecer. Ela, que tanto buscara a verdade nos raciocínios filosóficos e nas escolas de pensamento, enfim a encontrou ao concluir a biografia de nossa Santa Madre, exclamando: “Aqui está a verdade!

Convicta de que tinha encontrado a verdade que tanto procurava, Edith comprou um Catecismo da Igreja Católica, um Missal e os estudou. Depois, pela primeira vez, ela entrou numa Igreja Católica e participou de uma Missa. Como já tinha estudado, compreendeu perfeitamente os ritos, as orações e sentiu que realmente, encontrara a verdade de Jesus Cristo. Ela tinha, então, 31 anos e foi batizada no dia 1 de Janeiro de 1922. Nesse tempo, dedicando-se à leitura, à oração e ao discernimento, foi amadurecendo em seu espírito a vocação para vida religiosa. Assim, em setembro de 1933, quando tinha 42 anos, Edith comunicou à mãe sua decisão de entrar para a vida religiosa na Ordem das Carmelitas Descalças. Em 15 de Outubro de 1933, Santa Edith Stein entrou para o Carmelo da cidade de Colônia, na Alemanha. Nessa ocasião, assumiu o nome de Teresa Benedita da Cruz.

Por causa da perseguição nazista contra os judeus, Santa Edith foi com sua irmã Rosa para um convento carmelita na Holanda. Mais tarde, porém, a Holanda foi invadida pelos nazistas e, Edith acabou sendo descoberta e presa com sua irmã. Ela saiu do convento usando o hábito das carmelitas e continuou a usá-lo no campo de concentração de Auschwitz. Lá, Santa Edith ofereceu sua vida, como ela disse várias vezes, pela conversão do seu povo, os hebreus, ao Catolicismo. O número de prisioneira de Santa Edith Stein era 44070. Edith Stein foi morta na câmara de gás de Auschwitz em 1942, quando tinha 52 anos.

Por causa de seu heroísmo cristão, ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 1 de Maio de 1987, na cidade de Colônia. No dia 11 de Outubro de 1998, ela foi canonizada também por João Paulo II passando a ser chamada pelo nome que ela escolheu para sua vida religiosa: Santa Teresa Benedita da Cruz. Sua festa litúrgica é celebrada em 09 de agosto.

O último livro por ela escrito, A Ciência da Cruz, nos revela a sabedoria que se esconde por trás dos sacrifícios a que os santos se entregam por amor àquele que por eles se entregou como vítima inocente, em holocausto agradável ao Pai.

Recorramos hoje à intercessão de Santa Teresa Benedita e peçamos-lhe que nos alcance de Cristo a graça de aprendermos a carregar nossas cruzes e a saborear com paciência todo sofrimento, por amor e gratidão a Nosso Senhor.

(Texto escrito por Cristina Stein Hoff da Comunidade OCDS  Santa Teresa Benedita da Cruz, de São Leopoldo, RS)

 

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“Quem és tu, Luz
que me enches
e que iluminas as trevas
do meu coração?
Tu me guias como a mão
de uma mãe, e se tu me largas,
não poderei mais dar um só passo.
Tu és o espaço
que envolve meu ser
e o abriga em seu seio.
Abandonado por Ti
meu ser desapareceria
nos abismos do nada,
de onde Tu o tiraste
para levá-lo ao ser.
Tu, mais próximo de mim
do que eu de mim mesmo
e mais íntimo
que o âmago de minha alma,
e, entretanto, inatingível e inefável,
fazendo brilhar todos os nomes:
Espírito Santo – Amor eterno…
És Tu
o canto do amor
e do santo respeito
que ressoa eternamente
em redor do trono de Deus,
que nele une o canto puro
de todos os seres.
A harmonia que une
os membros à Cabeça
É nela que cada um
descobre com êxtase
o sentido íntimo do seu ser
e cheio de alegria
derrama-se nas tuas ondas,
Espírito Santo – Eterna alegria…”

   Santa Teresa Benedita da Cruz 3   Santa Teresa Benedita da Cruz –