Frei Alzinir, Delegado Geral para a OCDS, olhando, de Roma, a situação do nosso Brasil, enviou essa carta fazendo um apelo à OCDS.
Ele pede orações pelo país nesta novena de Pentecostes de 2020, que coincidirá com a semana de oração pela unidade dos cristãos, no contexto dessa pandemia que atinge a humanidade.
Neste mês de Maria, é tempo de implorar pelo nosso Brasil, que sofre com tantos males.🕯️

Roma, 21 de maio de 2020.

Caros Rose Lemos, Carlos Vargas e Carmelitas Descalços Seculares do Brasil,

       “Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres – entre elas, Maria, mãe de Jesus” (At 1,14).

Escrevo a vocês no início da novena de Pentecostes deste ano de 2020, a qual coincide com a semana de oração pela unidade dos cristãos. E o faço no contexto da situação emergencial que a humanidade de todos os Continentes está vivendo por causa da pandemia do Covid 19. Nestes dias atinge de cheio o nosso país, acrescentando ainda mais sofrimento e dor a tantos brasileiros, já provados pela pobreza, violência e tantos outros males.

Além disso, acompanho com preocupação tanta confusão na política do nosso Brasil, que nos faz temer pela vida e o futuro de tantos dos nossos conacionais. Por isso, se o “bem comum é a razão de ser da autoridade política” e quem ocupa cargos de governo deveria governar “com sabedoria” e exercer a justiça, o que vemos são as lutas pelo poder, o aproveitamento da situação para o aumento egoísta das riquezas, dos privilégios, da impunidade, do descuido da vida e da dignidade de grande parte de nosso povo.

Diante desta situação caótica, não podemos deixar que “um vírus ainda pior, o do egoísmo da indiferença” (Papa Francisco) nos atinja ou mesmo que a divisão se instale também entre vocês por causa de políticos.

Como filhos/as de Santa Teresa, somos chamados a pelejar com as armas da oração e da penitência e com aquelas de um empenho sério com a política como parte integrante da missão dos fiéis leigos (cf. ChL 5. 23.42). Como outrora, também hoje nos exorta a Santa Madre: “não é tempo de tratar com Deus de coisase de pouca importância” (Caminho 1,5).

Por isso, servindo-me das palavras de S. Paulo: “Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelom amor do seu Espírito, que vos junteis a mim numa ofensiva de orações a Deus…” (Rm 15,30), pedindo ao

Senhor que derrame seu Espírito de comunhão e de vida sobre o nosso povo e suscite governantes e políticos sábios e íntegros, que defendam o bem comum e a justiça para todos, a dignidade humana em todos os setores: na política, na economia, na cultura, na educação, na saúde, etc. Que saibam deixar de lados interesses pessoais e partidários e sirvam o bem comum, busquem soluções pacíficas nos conflitos e lutem pela salvaguarda da riqueza natural que ainda temos e a integridade dos povos que nela vivem, a fim de que se chegue a uma ”ecologia integral” (Cf. Laudato si’, cap. IV).

Este é um tempo de viver mais do que nunca o que nos exorta S. Paulo e a Regra de S. Alberto, de revestir-nos das armas de Deus: “ponde o capacete da salvação e empunhai a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Com toda sorte de preces e súplicas, orai constantemente no Espírito” (Ef 6,17-18), numa súplica confiante à Misericórdia divina, pois diante da situação do mal e da divisão que se alastram no país, somente a força do Alto poderá nos salvar.

Caríssimos, seja a novena de Pentecostes a união do Carmelo Secular do Brasil em oração ao Espírito Santo, elevando “súplicas, orações, intercessões, ação de graças, por todas as pessoas…pelas autoridades em geral para que possam levar uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade” (1 Tim 2,1-2).

Que a presença materna de Maria SS., quem foi “sempre guiada pelo Espírito Santo” e acompanhou osr primeiros discípulos nos acompanhe hoje, a fim de que como membros da Igreja tenhamos “em vista ums fim: continuar, sob o impulso do Espírito Santo, a obra do próprio Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e não para condenar, para servir e não para ser servido”.

Com um fraterno abraço, peço ao Senhor que lhes abençoe e aos seus caros e os guarde em sua paz e união.

                                      Fraternalmente,

Frei Alzinir Francisco Debastiani OCD

Delegado Geral para a OCDS