“Quotidiae Morior”

Morro cada dia – Renúncia e Desapego

Sinal da Cruz.
Vinde Espírito Santo.

Enquanto alguma coisa nos prender, não poderemos livremente voar para Deus. Não há nada mais tranquilo que um coração simples, livre. Importa, pois, elevar-se acima de todas as coisas, acima até de si mesmo, para unir-se cada vez mais ao Senhor. Para vivermos unidos à Jesus, precisamos nos desprender dos laços que nos prendem ao mundo. A alma que ainda não se desprendeu, “está sempre agitada, inquieta, caminha na escuridão e mil cuidados a atormentam”.

Renunciar é a disposição da alma em não viver, em nada, para si; disposição sincera, contínua, firme de afastar a alma de sua inclinação natural e se fazer o centro da própria vida, de sair de si, de se desinteressar por si, de deixar-se de lado. Renunciar-se é amar! Em escravidão vivem todos os que se amam e buscam a si mesmos.

Para ser um cristão de verdade, é preciso renunciar a algumas das coisas que aparentemente nos levam à felicidade, mas na verdade não passam de pura enganação. O conforto excessivo, riqueza exagerada, más companhias, ambição sem controle, egoísmo, vingança, fofocas, etc.

Elisabeth chama de “conversão” o que se deu em sua primeira confissão, que deu origem a um verdadeiro despertar para as coisas divinas. Desde então resolveu lutar energicamente contra o seu defeito dominante, sem que esta aplicação de vencer-se alterasse a sua animação e alegria. Foi progredindo a passos largos.

Sua vontade vinha sempre em último lugar. Quanto não teve de renunciar para dar alegria a sua mãe! Teria até mesmo deixado de entrar no seu amado Carmelo, se sua mãe não o tivesse permitido. Também o desapego da família foi algo de muito doloroso para Elisabeth. Porém, o coração livre dilata-se e tem maiores capacidades de amar: amar como Deus ama!

“Jesus, meu Amor, minha Vida, ajudai-me; é Preciso absolutamente que eu consiga fazer sempre e em tudo o contrário de minha vontade. Bom Mestre, Sublime Amor, eu Vos imolo essa vontade, para que seja transformada na Vossa. Vo-lo prometo, envidarei todos os esforços para ser fiel a esta minha decisão de sempre renunciar a mim mesma. Nem sempre é tão fácil; mas convosco, ó Jesus, minha força, minha Vida, a vitória não será, porventura, certa?” (Diário 24/02/1899)

“Esta doutrina de morrer a si mesmo, que é entretanto lei para toda alma cristã desde que Cristo disse: ´Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me`, esta doutrina que parece tão austera, é de uma suavidade deliciosa quando se olha o termo dessa morte, que é vida de Deus posta em lugar de nossa vida de pecados e misérias. A alma mais livre é, por certo, a que vive esquecida de si mesma. Se me perguntassem qual o segredo da felicidade, responderia que é não mais fazer caso de si, renunciar-se todo o tempo.” Carta 272

Reflexão…

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 23-24)

“Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus..” (Col 3,2-3)

Oração: Pai Nosso, Ave-Maria, Glória

Oração final: Senhor, nosso Deus e Pai, nós te louvamos e bendizemos porque suscitastes na tua Igreja e no Carmelo a Santa Elisabeth da Trindade, para que nos ajudasse a descobrir-nos cada vez mais habitação eterna do Amor Trinitário. Senhor, que toda alma que sofre de solidão, depressão e tristeza possa buscar em Elisabeth um modelo de comunhão e de intimidade com o mistério Trinitário. Saber-nos amados, habitados pela Trindade Santa, é motivo para sermos desde já sempre felizes e o céu, o paraíso sem fim. Que Maria, habitação da Trindade e Porta do Céu nos abençoe. É o que te pedimos, por Cristo, Vosso Filho e nosso Senhor, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Alma Carmelita