“Laudem Gloriae”

Louvor de Glória

Sinal da Cruz.
Vinde Espírito Santo.

Foi em São Paulo que Elisabeth encontrou o que chamou de “sua vocação”, o “nome novo” que o Senhor prometeu aqueles que vencerem:

“Ao vencedor darei o maná escondido e lhe entregarei uma pedra branca, na qual está escrito um nome novo que ninguém conhece, senão aquele que o receber.” Ap 2, 17

Elisabeth tomou para si a expressão de São Paulo, e fez daí sua divisa, o seu programa de vida: buscar ser o louvor incessante, ininterrupto, da Trindade Santa: “Deus nos adquiriu para o louvor da sua glória” (Ef 1, 14)

Passa a denominar-se Laudem Gloriae. Sua vida é apenas deixar-se transformar no louvor da glória de Deus. É sua única preocupação. Esse é o carisma próprio de Elisabeth: Laudem Gloriae, introduzir as almas no íntimo de si mesmas, para saírem de si pelo amor e o louvor de glória (Doutrina Espiritual de Elisabeth da Trindade).

“Vivo no Céu da fé, no centro da minha alma, e procuro tornar o meu Mestre feliz, sendo desde esta vida o louvor da sua glória”. (Carta 274)

“A alma é um céu que louva a Deus”. Elisabeth nos deixa aí um programa de vida: silêncio, despojamento absoluto, amor à Trindade, devoção à vontade Divina, configuração com Cristo Crucificado.

“Penso que alegraríamos imensamente o Coração de Deus se, no céu da alma, nos exercitássemos nesse ofício dos bem-aventurados.” (Último Retiro 8)

Reflexão…

Retiro: O Céu na fé
“Nele, predestinados pelo propósito daquele que tudo opera segundo o conselho da sua vontade, fomos feitos sua herança, para sermos o louvor de sua glória”.

É São Paulo quem assim fala, São Paulo instruído pelo próprio Deus. Como realizar este grande sonho do coração de Deus, este seu desejo imutável sobre nossas almas? Enfim, como correspondermos à nossa vocação, e tornar-nos perfeitos Louvores de Glória da Santíssima Trindade?

No céu, cada alma é um louvor de glória ao Pai, ao Verbo, ao Espírito Santo, porque cada alma está fixada no puro amor e “não vive mais da própria vida, mas sim da vida de Deus”. “Então ela o conhece, diz São Paulo, como é por ele conhecida”. Em outros termos: “seu entendimento é o entendimento de Deus, sua vontade a vontade de Deus, seu amor o próprio Amor de Deus. É na realidade o Espírito de amor e de força que transforma a alma, porque ele, tendo-lhe sido dado para suprir o que lhe falta – como diz ainda São Paulo –, opera nela esta grandiosa transformação”. São João da Cruz afirma que falta pouco para que a alma, entregue ao amor, não se eleve, pela virtude dom Espírito Santo, e ainda nesta vida, ao grau de que acabamos de falar! Eis o que eu chamo um perfeito louvor de glória!

– Um louvor de glória é uma alma que permanece em Deus, que o  ama com amor puro e desinteressado sem procurar consolações; que o ama acima de todos os seus dons, e o amaria mesmo se nada dele tivesse recebido, e que deseja o bem ao Objeto amado. Ora, como desejar e querer efetivamente algum bem a Deus, senão pelo cumprimento de sua vontade, visto como essa vontade tudo ordena para sua maior glória? Por conseguinte, esta alma deve entregar-se a ele plena e apaixonadamente, até não poder querer outra coisa senão o que Deus quer.

– Um louvor de glória é uma alma de silêncio que se mantém como uma lira sob o toque misterioso do Espírito Santo, que nela tange harmonias divinas. Sabe que o sofrimento é uma corda que produz sons ainda mais belos, e por isso gosta de vê-la no seu instrumento, porque assim agradará mais deliciosamente o Coração de Deus.

– Um louvor de glória é uma alma que fita Deus na fé e simplicidade; é um refletor de tudo o que ele é. É   como   um  abismo  insondável  onde ele pode derramar-se, expandir-se. É ainda como um cristal onde ele pode refletir-se e contemplar as próprias perfeições e esplendor. Uma alma que permite assim o Ser Divino satisfazer nela a necessidade de comunicar tudo o que ele é e tudo o que tem, é realmente o louvor de glória de todos os seus dons.

– Enfim, um louvor de glória é um ser sempre em ação de graças. Cada um de seus atos, movimentos e pensamentos, cada uma de suas aspirações, ao mesmo tempo em que enraízam mais profundamente no amor, são como um eco do Sanctus Eterno.

– No céu da glória, os bem-aventurados proclamam, “dia e noite sem parar: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus Todo-Poderoso… E prostrando-se, adoram aquele que vive pelos séculos dos séculos…”

No céu de sua alma, o louvor de glória começa já o seu ofício de eternidade. Seu cântico é ininterrupto porque está sob a ação do Espírito Santo, que opera tudo nela. E mesmo sem ter sempre consciência disto – porque a fraqueza humana não lhe permite fixar-se em Deus sem distrações –, ela canta sempre, adora constantemente e transforma-se, por assim dizer, em louvor, em amor apaixonado pela glória da Santíssima Trindade, louvores de amor de nossa Mãe Imaculada. Um dia o véu cairá e seremos introduzidos nos átrios eternos, onde cantaremos no seio do Amor Infinito, e Deus nos dará o “nome novo prometido ao vencedor”. Qual será ele?… Laudem gloriae

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Santa Elisabeth da Trindade – Conclusão

Oração

Senhor, enraizai em nossos corações a busca constante de uma vida de intimidade com a Trindade Santa, e a nos configurarmos a ela, sendo desde esta vida “louvores de glória”, irradiando e vivendo o “céu na terra”. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Oferecimento:
“Meu Jesus, eu vos darei amor por Amor, sacrifício por sacrifício. Vós vos imolastes por mim, e eu, por minha vez, ofereço-me a Ti como vítima. Eu Vos consagro a minha vida: quero consolar-Vos e, para isso, com a Vossa graça, sem a qual nada posso, estou pronta a tudo. Ó meu Jesus, eu te amo tanto, queria tanto fazer um pouco de bem… Ó Deus Todo-poderoso. Ofereço-me como vítima pelos pecados do mundo. Ofereço-me com Jesus, meu Esposo. Jesus, Holocausto supremo. Aceitai esta pobre vítima.” (Diário 30/03/1899)

“O Amor, esquecendo a sua própria dignidade, está sequioso de elevar e engrandecer o ente amado. Só tem uma medida, diz Santo Agostinho, é o de ser sem medida. Peço a Deus que vos cumule com essa medida, segundo as riquezas de Sua glória. Que o peso de seu Amor nos arraste a esta perda bem-aventurada a que se refere o Apóstolo, quando exclamava: ‘Não sou eu mais quem vive, é Cristo quem vive em mim! ’ Peço-Lhe que o realize plenamente em nós. Sejamos-lhe uma humanidade de acréscimo, na qual possa renovar o seu mistério. Pedi-Lhe que permanecesse em mim como Adorador, como Reparador e como Salvador; não pode imaginar que paz invade a minha alma, de pensar que Ele supre todas as minhas fraquezas, e que se caio a todo instante, Ele aí está para me levantar e levar-me longe, n´Ele, no fundo dessa essência Divina, onde já habitamos pela graça, e onde quisera sepultar-me em tal profundidade que coisa alguma me pudesse fazer sair daí. É aí que me calo para adorar Aquele que me amou tão divinamente. ” (Carta 214)
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Santa Elisabeth da Trindade – Ladainha

Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, ouvi-nos,
Jesus Cristo, atendei-nos,
Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós
Deus Filho, Redentor do Mundo, …
Deus Espírito Santo, …
Santíssima Trindade que sois um só Deus, …

Santa Maria, Tabernáculo da Trindade, rogai por nós;
Santa Maria, arca da aliança, …

Santa Elisabeth, louvor de glória, …
Santa Elisabeth, casa de Deus, …
Santa Elisabeth, morada santa da Trindade, …
Santa Elisabeth, escutadora da Palavra de Deus, …
Santa Elisabeth, praticante da Palavra de Deus, …
Santa Elisabeth, esposa crucificada de Cristo Crucificado, …
Santa Elisabeth, mestra do silêncio, …
Santa Elisabeth, alma de perfeito silêncio, …
Santa Elisabeth, mestra da oração, …
Santa Elisabeth, amante do Carmelo, …
Santa Elisabeth, adoradora de Deus em Espírito e verdade, …
Santa Elisabeth, modelo de amizade santa, …
Santa Elisabeth, protetora de quem busca a intimidade com Deus, …
Santa Elisabeth, protetora dos doentes terminais, …
Santa Elisabeth, protetora das vocações sacerdotais, …
Santa Elisabeth, alma apaixonada por Maria, …
Santa Elisabeth, harpa mística de Deus, …
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor;
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor;
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oração final: Senhor, nosso Deus e Pai, nós te louvamos e bendizemos porque suscitastes na tua Igreja e no Carmelo a Santa Elisabeth da Trindade, para que nos ajudasse a descobrir-nos cada vez mais habitação eterna do Amor Trinitário. Senhor, que toda alma que sofre de solidão, depressão e tristeza possa buscar em Elisabeth um modelo de comunhão e de intimidade com o mistério Trinitário. Saber-nos amados, habitados pela Trindade Santa, é motivo para sermos desde já sempre felizes e o céu, o paraíso sem fim. Que Maria, habitação da Trindade e Porta do Céu nos abençoe. É o que te pedimos, por Cristo, Vosso Filho e nosso Senhor, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Alma Carmelita