Oh! Glorioso Patriarca São José, eis-me aqui, prostrado de joelhos ante vossa presença, para pedir-vos vossa proteção. Desde já vos elejo como meu pai, protetor e guia. Sob vosso amparo ponho meu corpo e minha alma, propriedade, vida e saúde.

Hoje, a Igreja comemora a festa de São José, patrono do Carmelo Descalço e da Santa Madre Igreja Católica. Para este dia, e aproveitando este tempo de recolhimento, meditemos e elevemos nossos pensamentos, afetos, e necessidades (nossas e do mundo inteiro) ao Santo Patriarca!

São José, pai de Jesus e patriarca da Santa Igreja.

A presença, tão fortemente destacada por São Mateus e canonizada pelo Espírito Santo, de São José na Igreja de Deus como homem justo, verdadeiro esposo de Maria e pai singular e virginal de Jesus, pelo qual de algum modo passam os desígnios de Deus sobre a humanidade salva, esteve silenciada nos primeiros séculos de sua existência, como silencioso foi sempre o santo do silêncio, de quem não se conserva nem uma só palavra. É sua própria pessoa a palavra eloquente e potentíssima.

Com o transcorrer dos séculos essa presença foi despertando e abrindo caminho, como ele merece. Não é possível sequer apontar as datas precisas do aparecimento desta presença, que também se fez silenciosa mas irresistível. Basta recordar que um desses momentos culminantes, em que aparece pujante e arrebatadora a presença de São José na Igreja, foi com Santa Teresa de Jesus.A paternidade sobre Jesus é a grandeza suprema de José, da qual derivam todos os outros privilégios e graças, dado que o mesmo matrimônio com Maria é divinamente ordenado para esta paternidade única no mundo.

Os teólogos, para desvendar a paternidade de José sobre Jesus e conferir um adjetivo apropriado e expressivo dessa realidade, falam de uma paternidade legal, putativa, adotiva, matrimonial, virginal, própria. Realmente é única. É uma paternidade na qual se dão todos os elementos da mesma, mas sublimados, menos o da geração carnal; e, além disso, todos eles ordenados por Deus exclusivamente para uma paternidade sobre Jesus. José é virginalmente e matrimonialmente pai de Jesus. Não somente não desmerece em nada a sua paternidade faltar-lhe a geração carnal, se não que, como escreve Santo Agostinho, é tanto mais firmemente pai, quanto mais castamente o é.

Deus que modela e forma um por um dos corações dos homens (Sal 32, 15), pôs no coração de José os mais elevados sentimentos de paternidade. O coração de José é modelado singularmente pela mão de Deus tendo em vista seu Filho, quando Este se encarne no mundo. Não há coração de pai que se possa comparar no amor pelos filhos ao de José por Jesus; o amor paternal de José excede toda consideração. Predestinado a ser pai singular de Jesus, Deus o dotou de um amor paternal único. Como disse um autor “se não foi verdadeiro pai natural de Deus, não foi porque lhe faltasse a capacidade e os dons requisitados para isso, mas porque Deus não fez eleição de pai na terra” (I. Coutiño).

Expressão de seu amor paternal é o comportamento de José para com Jesus em sua infância e juventude. Às cenas recordadas pelo evangelho, acrescentemos que José como pai educa Jesus em um sentido amplo, ensinando-lhe as orações que todo fiel israelita rezava diariamente e as que se dizia em comunidade no templo e na sinagoga, como o Shema, a ação de graças… orações que todo homem devia saber desde os doze anos.

São José, patriarca do Carmelo Descalço

A fundação do mosteiro de São José foi um marcante sinal apostólico josefino para o próprio Carmelo é evidente. Nele se serviria muito a São José. Assim entenderam e interpretaram os autores carmelitas. O Pe. João da Anunciação, Geral da Congregação Espanhola, historiando a fundação de São José de Ávila, escreve:

“pôs-se o Santíssimo Sacramento; dedicou-se a igreja a nosso pai São José, que por aquele princípio é Patrono e Protetor de nossa Reforma… O convento de São José de Ávila é o princípio e lar natal de todos os conventos da descalcez, assim como é da devoção josefina dos mesmos”.

Tome-se como confirmação de que a devoção a São José penetrou na alma e na vida da Descalcez o fato de se intitular tantos conventos com o nome de São José, seguindo assim o exemplo da Santa Madre. Em 1699, havia no mundo 321 conventos de frades carmelitas descalços, sem contar os asilos. Destes, 73 levavam o título de São José. E havia 180 de monjas sujeitas à Ordem, e destes 57 estavam sob o título de São José.

São José é aquele que recebe o mistério da Encarnação, aquele a quem o Anjo, enviado por Deus, dá a conhecer o mistério da salvação humana, e que detém as posses da vida (de Jesus e Maria). Essa teologia é a que lia e meditava Santa Teresa na festa de São José, enquanto vivia no mosteiro da Encarnação, onde consta a devoção a São José estar bastante radicada, e que, resumida e feita experiência particular, seria espalhada em seu Livro da Vida.

O que Santa Teresa nos ensina sobre São José na história da salvação de sua alma é a expressão de uma devoção profunda e sincera ao Santo Patriarca, vivenciada, profundamente experienciada, inimicíssima e prolongada por vários anos.  Vê claramente, a partir da sua experiência, como da de outras pessoas às quais se recomendava, o benéfico e universal auxílio com que São José correspondia, dando muitas mais coisas do que ela pedia.

Não se trata de uma experiência sobrenatural e mística, mas de uma convicção plena a partir da fé sincera e amor confiante de que o que recebe nas necessidades de alma e corpo são graças dispensadas por São José, em atenção à total confiança com que as pede e o abandono esperançoso com que a ele se recomenda. Daqui nasce o típico agradecimento da Santa: faz proselitismo e conquista muitos devotos para São José –

“Há muitos que são devotos de novo… eu dizia que se recomendassem a ele…”, celebra sua festa com toda solenidade.

Ao longo de sua história, o Carmelo teresiano, tanto feminino como masculino, escreveu páginas gloriosas de devoção a São José, pois ele sempre foi e continua sendo o Pai, o Protetor, o Patrono, o Senhor, nosso Pai e Senhor São José. A experiência da Santa Madre continua viva em nossas vidas e em nossa história, e o apelo que eu gostaria de dirigir a todos é que se façam devotos deste glorioso Santo, porque esse pedido sempre encontrou eco e acolhida no coração de todos os filhos do Carmelo.

Entre as páginas ou figuras gloriosas tão numerosas, em número muito reduzido e resumido, se encontram, entre outras: Ana de São Bartolomeu, a fiel enfermeira da Santa, que se alegra de que pela Santa Madre São José tenha sido mais conhecido na Espanha, “que quase não o conhecia”, e colabora com Ana de Jesus (Lobera) para difundir abundantemente a devoção josefina nos Países Baixos, que resultou tão fecunda.

Beata Maria de Jesus, a letradinha de Santa Teresa, que chegou a contemplar a Santa Madre com São José, e que, sendo Priora de Toledo, recomenda a suas filhas a devoção a São José, o bendito esposo de Maria, a quem Deus constituiu protetor especial da castidade. Não deixa passar um dia sem rezar as suas sete dores e alegrias; dedica-lhe todas as quartas-feiras e o dia 19 de cada mês; medita com frequência nos principais episódios de sua vida, especialmente na imensidade do amor com que o Santo Patriarca amava a Jesus.

Santa Teresinha do Menino Jesus, que desde a infância sentia por São José uma grande devoção que se confundia com seu amor à Virgem Santíssima, e todos os dias rezava a oração: “Ó José, pai e protetor das virgens…!” Quando inicia a peregrinação a Roma roga que vele por ela; quando visita Loreto sente uma emoção profunda ao pisar o mesmo solo que São José havia regado com seu suor. Já no Carmelo dedica-lhe uma poesia, canta sua vida humilde e o serviço a Jesus e Maria, contempla-o em sua vida simples e dura de trabalho; oferece-lhe os pratos fortes de comida, e exclama como síntese de toda sua devoção:

“Oh, bom São José! Oh! quanto o amo!”, e no céu verá e cantará sua glória.

Clara Maria da Paixão, Maria de São José, Ana de Jesus (Lobera), Isabel de São Domingos, Beatriz de Jesus (Ovalle), outra Teresa de Jesus, Cecília de São José, Gabriela de São José, Feliciana de São José, Maria da Encarnação, Beata Maria dos Anjos, Ana de Santo Agostinho, Beata Isabel da Trindade e tantas mais carmelitas nas quais se fez realidade as palavras da Santa, que há muitas que são lhe devotas (a São José) e experimentam esta verdade (V 6,6).

Junto a estas páginas escritas ou narradas, cheias de glória a São José, há outras inumeráveis que somente estão gravadas no livro da vida e que não são menos gloriosas.

Desejamos a todos os nossos irmãos em Cristo, um feliz dia de São José!

São José, patrono do Carmelo Descalço e da Santa Madre Igreja, rogai por todos os sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e fiéis. Rogai pelos doentes e, pede a Jesus Cristo, que o mundo seja liberto da peste.

Secretariatus Generalis Pro Monialibus O.C.D. – Romae.