“O meu Céu, encontrei-o na Trindade Santíssima

Que habita no meu coração, prisioneira de amor

Aí, contemplando o meu Deus, repito-Lhe sem receio

Que o quero servir e amar para sempre.

O meu Céu é sorrir a este Deus que adoro

Quando ele quer esconder-SE para me provar a fé…

Eis o meu Céu!”

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Neste ano de 2020 vivemos uma Semana Santa diferente, em isolamento social, com os templos fechados, mas unidos em oração, acompanhando as celebrações nos meios de comunicação com espírito de fé, esperança e caridade.

Recordo que este Domingo de Páscoa (12/04) é o centésimo aniversário do falecimento de Santa Teresa de Los Andes, cujo ano jubilar ainda irá até 13 de julho deste ano. Ela é a padroeira da comunidade OCDS de Londrina e da comunidade dos freis na mesma cidade (Centro de Espiritualidade Monte Carmelo).

No contexto atual da pandemia de Covid-19, é muito significativo observar que essa santa chilena sofreu com o tifo, nome associado a diversas epidemias que ocorreram na América Latina durante o século XX.

Que Santa Teresa de Los Andes, primeira santa carmelita das Américas, nos abençoe nesta Páscoa. 

Carlos Vargas, OCDS

Presidente Provincial

Compartilhamos, abaixo, a mensagem de Páscoa do Frei Alzinir Francisco Debastiani OCD, Delegado Geral para a OCDS:

Caros Irmãos no Carmelo Secular Teresiano

É Páscoa.

Uma Páscoa incomum neste ano de 2020; muitos estão fechados em casa, semelhantes aos primeiros discípulos que acompanharam os eventos do Mestre naquela Páscoa que mudaram a história da humanidade.

E hoje, mais do que nunca, é bom lembrar o que a Igreja canta há séculos na sequência do dia da Páscoa:

A morte e a vida

Travaram um admirável combate:

Depois de morto,

Vive e reina o Autor da vida.

Do seu triunfo, os dons que Cristo Ressuscitado traz aos discípulos temerosos são palavras de vida: A paz esteja convosco! (João 20,19), como consequência, os discípulos se alegraram ao ver o Senhor. E Ele lhes dá o Espírito Santo e os tranquiliza: “Estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Uma certeza nestes tempos da presença certa do Ressuscitado é ver que ele sustenta tanta bondade, luta, comprometimento e coragem de médicos, enfermeiros e outros que nestes dias doam-se no cuidado e na defesa da vida em meio a tantas mortes.

 Também é certo que o Ressuscitado, com a derrota da morte, abre as portas da eternidade, nos dá esperança, com a qual desafiamos: “Quem nos separará do amor de Cristo? … nem morte nem vida, nem anjos nem principados, nem presente nem futuro, nem poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra criatura pode nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” ( Rm 8, 35-39).

Por tudo isso, apesar de muitos estarem privados participação física nas celebrações litúrgicas, continuemos firmes na grande esperança que vem Dele, que se faz súplica na Sequência:

Sabemos e acreditamos:

Cristo ressuscitou dos mortos:

Ó Rei vitorioso,

Tende piedade de nós.

A cada um de vocês, suas famílias, comunidades, seus entes queridos, peço e desejo-lhes uma Páscoa com os dons do Senhor ressuscitado e com aquela esperança firme da Rainha do Céus: Ela lhes leve a alegria de seu Filho e como Stella Maris seja guia segura no nosso caminho.

Com um abraço fraterno

Fr. Alzinir Francisco Debastiani OCD

Roma, Páscoa 2020

Nosso Provincial, Frei Éverton, também enviou uma mensagem de Páscoa:

JM + JT

Estimados irmãos e irmãs,

Verdadeiramente o Senhor Ressuscitou! Aleluia, aleluia!
Hoje o Senhor ressuscitou! Aleluia, aleluia!

Somos chamados a proclamar a Páscoa do Senhor em um tempo no qual, diante de nossos olhos, se descortina uma realidade que jamais imaginávamos, uma pandemia que tem atingido diretamente a vida de todos e deixado consequências drásticas. Apesar desse horizonte de “trevas” que obscurece a sociedade e a convivência humana e nos lança a um futuro incerto, recebemos de Deus um chamado, o chamado de proclamar a Páscoa: anunciar a esperança, alegrar-se com o dom da salvação e assumir a vida nova.
A proclamação da Páscoa é missão da sentinela que, vigilante, aguarda o amanhecer e é o primeiro a alegrar-se com a luz do novo dia. Seu coração vigilante, seu olhar contemplativo, sua disponibilidade servil permitem-na tornar-se mensageira de uma grande alegria para os seus irmãos, que, adormecidos em suas próprias ilusões, podem desesperar-se diante do infortúnio, da doença e da calamidade. Sim, a proclamação da Páscoa é a nossa grande contribuição nesse tempo em que todas as coisas se tornam relativas. Nela temos a oportunidade de afirmarmos e testemunharmos o verdadeiro sentido da vida, da sua interdependência, da sua transitoriedade e da sua transcendência.
A vocação, que recebemos, compromete-nos a não apenas proclamar a Páscoa como um ato litúrgico, mas também proclamá-la em nossa vida cotidiana e, sobretudo, viver à luz desta certeza: “Verdadeiramente o Senhor Ressuscitou! Aleluia, aleluia! Hoje o Senhor ressuscitou! Aleluia, aleluia”. Essa certeza é precursora da nossa própria ressurreição, que nada mais é do que o desdobramento daquela intimidade que estamos chamados a viver pelo mistério da oração: “Eu em ti e tu em mim, Senhor” (Santa Elisabete da Trindade).

No entanto, pode surgir-nos uma dúvida: como podemos anunciar se não vemos, se também o nosso olhar está obscurecido? Como despertar os outros se nós mesmos estamos imersos no sono? Oportuno é retomarmos o nosso relacionamento interpessoal com o Senhor e pedirmos a Ele que cure a nossa cegueira espiritual que não nos permite ver como Ele vê. A amizade com o Senhor é o que configura o coração e educa o olhar. Somente o olhar da fé permite transcender a aparência de cada realidade e chegar a sua essência. Ele permite reconhecer a Deus presente e atuante no tempo e na história, mesmo em meio a calamidade como essa que estamos vivendo.
A ressurreição do Senhor não foi uma invenção ou projeção mental dos seus seguidores. Foi um evento real que tocou profundamente a existência dos seus discípulos. A coragem, a determinação e disponibilidade para o sofrimento e até o martírio de muitos cristãos dos primeiros séculos nos testificam a veracidade e a força da ressureição. Hoje, ao proclamarmos a Páscoa não apenas recordamos um acontecimento distante de nós no tempo histórico, mas atualizamos a sua força redentora. Sim, irmãos e irmãs, “Verdadeiramente o Senhor Ressuscitou! Aleluia, aleluia!”.

  

Vivamos dessa certeza e proclamemos a todos, com júbilo, a Páscoa do Senhor. Unamo-nos com sensibilidade e carinho àquelas famílias que celebraram a páscoa eterna de seus familiares afetados pelo coronavírus e sejamos para eles portadores da esperança da ressurreição futura pelo nosso testemunho de fé. Suplicamos especial proteção à Virgem do Carmo e a São José. Amém. Aleluia!

Páscoa do Senhor, 2020
Frei Everton Berny Machado, ocd
Provincial Brasil Sul

Aproveitamos a oportunidade para compartilhar a mensagem de Páscoa do Frei Paulo Prigol, OCD, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Rio Grande (RS), que nos foi encaminhada pela Denise, carmelita descalça secular da Comunidade São João da Cruz, na mesma cidade:

ALELUIA!!!

Meu querido Irmão, minha querida Irmã, quero através destas linhas externar meu desejo sincero de uma Feliz Páscoa, SIM!  Feliz, Santa e abençoada Páscoa.

Em cada ano na Páscoa celebramos a vitória da vida sobre a morte, passagem das trevas da escravidão para a luz, pois Páscoa é passagem. Neste ano devemos nos esforçar para fazermos essa passagem.

Em tempos difíceis, de isolamento social, de medo, de pandemia da Covid-19, somos chamados a fazer a também a nossa “passagem”, a Páscoa. Façamos memória do que celebramos nestes últimos dias: Jesus institui a Eucaristia, lava os pés de seus discípulos, nos deixa o mandamento do Amor. Depois é preso maltratado, humilhado e morto. Com carinho quero te lembrar que Nosso Senhor nos dá o exemplo de como devemos amar: servindo! E quem estava com ele naquele momento de dor terrível na cruz? Sua mãe, as amigas de sua mãe e UM discípulo. Onde estavam os que ele curou? A multidão que gritava “Hosanas”? Os outros discípulos?

Nos momentos em que o sofrimento bate a nossa porta, se estamos sós, a dor aumenta.

Muitos que estão padecendo deste coronavirus estão sofrendo e morrendo sozinhos, porque a situação impede que seja diferente.

Mas Jesus ressuscitou! O Amor venceu!

Então Ele pode também ressuscitar no coração de cada um de nós. Trazendo Vida, nos ensinando que o Amor é sempre vencedor.

Qual “passagem” você precisa fazer? De quais trevas de egoísmo você precisa dissipar com a Luz de Jesus?

Se nesse ano, apesar de não poder abraçar fisicamente os que você ama, você rezou por eles, cuidou para que todos tenham a vida preservada, está sendo solidário com os que sofrem… Você está tendo uma Feliz Páscoa, pois tenho certeza que na mesa da última ceia você aprendeu o mandamento do Amor e teve os teus pés lavados pelo Mestre, aos pés da Cruz você esteve presente solidário com o sofrimento do Senhor… E festeja a sua Ressurreição, pois cada vez que você promove a Paz e espalha o Amor de Jesus você está proclamando que Ele vive e continua acreditando que podemos sermos mais humanos, mais irmãos!

E só assim seremos fortes para enfrentarmos essa Pandemia que tanto angustia e causa dor as pessoas. E logo teremos a oportunidade de nos visitar, abraçar, festejar a festa da vida.

Feliz Páscoa!!!!

Frei Paulo Prigol

Paróquia Nossa Senhora do Carmo – Rio Grande