Santa Teresa Benedita da Cruz

 

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“Vamos, pelo nosso povo”!

Esta é a última frase que as irmãs do Carmelo de Ecth, na Holanda, ouvem da irmã Teresa Benedita da Cruz que, dirigindo=se a sua irmã Rosa, anima-a para seguir os dois soldados da GESTAPO que as levam prisioneiras.

Diante da porta, vizinhos assistem consternados à saida das duas irmãs, que são conduzidas a um carro da polícia, onde já se encontram outros condenados.

Dez minutos antes, as irmãs estavam reunidas na capela, como todos os dias às cinco horas da tarde, e irmã Teresa Benedita lia para todas o texto de meditação em comum. Toca a campainha e a madre priora, chamada pela porteira, vê dois policiais que procuram irmã Stein. Pensando que se tratasse da licença para emigrar para a Suiça, tão esperada pela irmã, a madre a chama.

Do diálogo que se segue e da voz forte e zangada de um dos soldados, a superiora percebe que algo mais grave acontece:

– Deixe esta casa em cinco minutos

-Não posso, sou religiosa de clausura

-Arranque isto (referia-se às grades) e venha para fora! Chame a  superiora!

Apesar de todos os protestos, súplicas e explicações, os soldados continuam firmes na execução das ordens recebidas e levam não só irmã Teresa Benedita, mas também sua irmã Rosa, da Ordem Terceira do Carmelo, que, acolhida pela comunidade, trabalhava na portaria.

O Carmelo de Colônia, na Alemanha, quase quatro anos antes, havia pedido às coirmãs de Echt abrigo e proteção para irmã Teresa Benedita, perseguida em sua pátria.

Enquanto o carro de polícia se afasta, entre lágrimas e preces, as carmelitas daquela comunidade vão recordando os momentos felizes de convivência com a irmã tão bondosa, serena, humilde e sábia que lá chegara no dia 31 de dezembro de 1938

Quem é irmã Teresa Benedita da Cruz? Porque a perseguem? Que mistério se esconde atrás do humilde hábito desta carmelita? Que perigo representa ela para um regime de terror que da Alemanha se espalha agora por outros países da Europa?

Assim começa o livro: Edith Stein Holocausto Para Seu Povo, escrito por Jacinta Turolo Garcia,A.S.C.J. e Patricio Sciadini, O.C.D.

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Santa Teresa Benedita da Cruz

Celebramos hoje no Carmelo e na Igreja, a memória de Santa Teresa Benedita da Cruz, popularmente conhecida como Santa Edith Stein.  Filósofa alemã de origem judaica, nasceu em Breslau, Alemanha, em 12 de Outubro de 1891 e faleceu no campo de concentração de Auschwitz, no dia 9 de Agosto de 1942. Edith Stein é reconhecida mundialmente como uma importante filósofa e teóloga cristã católica alemã. Ela foi também a primeira mulher que ousou defender uma tese de Filosofia na Alemanha. Foi discípula de  Edmund Husserl, o fundador de uma importante corrente da filosofia chamada fenomenologia. Depois, ela se tornou assistente de seu mestre.

Seus pais, Siegfried e Augusta Courant Stein, eram judeus. Estes insistiam com Edith para que ela assumisse a fé hebraica. Edith, porém, dizia-se ateia até a adolescência. Ainda assim, ela acompanhava sua mãe nas celebrações da sinagoga. Mas fazia isso mais por não querer desagradar sua mãe do que por convicção própria. Por volta de seus 30 anos, Edith Stein foi passar férias na casa de uns amigos na região da Baviera. Era o outono do ano 1921. Nessa ocasião, um livro caiu em suas mãos: a autobiografia de Santa Teresa de Ávila, cujo título era “Livro da Vida”. Edith começou a ler por curiosidade, gostando da redação de Santa Teresa. Ficou tão fascinada pelo conteúdo que passou toda a noite lendo até terminá-lo ao amanhecer. Ela, que tanto buscara a verdade nos raciocínios filosóficos e nas escolas de pensamento, enfim a encontrou ao concluir a biografia de nossa Santa Madre, exclamando: “Aqui está a verdade!

Convicta de que tinha encontrado a verdade que tanto procurava, Edith comprou um Catecismo da Igreja Católica, um Missal e os estudou. Depois, pela primeira vez, ela entrou numa Igreja Católica e participou de uma Missa. Como já tinha estudado, compreendeu perfeitamente os ritos, as orações e sentiu que realmente, encontrara a verdade de Jesus Cristo. Ela tinha, então, 31 anos e foi batizada no dia 1 de Janeiro de 1922. Nesse tempo, dedicando-se à leitura, à oração e ao discernimento, foi amadurecendo em seu espírito a vocação para vida religiosa. Assim, em setembro de 1933, quando tinha 42 anos, Edith comunicou à mãe sua decisão de entrar para a vida religiosa na Ordem das Carmelitas Descalças. Em 15 de Outubro de 1933, Santa Edith Stein entrou para o Carmelo da cidade de Colônia, na Alemanha. Nessa ocasião, assumiu o nome de Teresa Benedita da Cruz.

Por causa da perseguição nazista contra os judeus, Santa Edith foi com sua irmã Rosa para um convento carmelita na Holanda. Mais tarde, porém, a Holanda foi invadida pelos nazistas e, Edith acabou sendo descoberta e presa com sua irmã. Ela saiu do convento usando o hábito das carmelitas e continuou a usá-lo no campo de concentração de Auschwitz. Lá, Santa Edith ofereceu sua vida, como ela disse várias vezes, pela conversão do seu povo, os hebreus, ao Catolicismo. O número de prisioneira de Santa Edith Stein era 44070. Edith Stein foi morta na câmara de gás de Auschwitz em 1942, quando tinha 52 anos.

Por causa de seu heroísmo cristão, ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 1 de Maio de 1987, na cidade de Colônia. No dia 11 de Outubro de 1998, ela foi canonizada também por João Paulo II passando a ser chamada pelo nome que ela escolheu para sua vida religiosa: Santa Teresa Benedita da Cruz. Sua festa litúrgica é celebrada em 09 de agosto.

O último livro por ela escrito, A Ciência da Cruz, nos revela a sabedoria que se esconde por trás dos sacrifícios a que os santos se entregam por amor àquele que por eles se entregou como vítima inocente, em holocausto agradável ao Pai.

Recorramos hoje à intercessão de Santa Teresa Benedita e peçamos-lhe que nos alcance de Cristo a graça de aprendermos a carregar nossas cruzes e a saborear com paciência todo sofrimento, por amor e gratidão a Nosso Senhor.

(Texto escrito por Cristina Stein Hoff da Comunidade OCDS  Santa Teresa Benedita da Cruz, de São Leopoldo, RS)

 

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“Quem és tu, Luz
que me enches
e que iluminas as trevas
do meu coração?
Tu me guias como a mão
de uma mãe, e se tu me largas,
não poderei mais dar um só passo.
Tu és o espaço
que envolve meu ser
e o abriga em seu seio.
Abandonado por Ti
meu ser desapareceria
nos abismos do nada,
de onde Tu o tiraste
para levá-lo ao ser.
Tu, mais próximo de mim
do que eu de mim mesmo
e mais íntimo
que o âmago de minha alma,
e, entretanto, inatingível e inefável,
fazendo brilhar todos os nomes:
Espírito Santo – Amor eterno…
És Tu
o canto do amor
e do santo respeito
que ressoa eternamente
em redor do trono de Deus,
que nele une o canto puro
de todos os seres.
A harmonia que une
os membros à Cabeça
É nela que cada um
descobre com êxtase
o sentido íntimo do seu ser
e cheio de alegria
derrama-se nas tuas ondas,
Espírito Santo – Eterna alegria…”

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